LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA COM TRANSLOCAÇÃO DOS CROMOSSOMAS 8 E 21 VARIANTE

LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA COM TRANSLOCAÇÃO DOS CROMOSSOMAS 8 E 21 VARIANTE, DETECTADA EM ESTUDOS CITOGENÉTICA CONVENCIONAL E MOLECULAR

Evento: X Congresso Nacional

Poster Exposto: 02

Autor e Afiliações:

Isabel Pereira

Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, Hospital José Joaquim Fernandes

Co-Autores do trabalho:

Miguel Seruca; Marta Pires de Lima; Graça Teles de Abreu; Albertina Nunes

Palavras-chave: translocação (8;21) variante, leucemia mieloide aguda, cariótipo convencional, FISH

Introdução:

Na classificação da Organização Mundial da Saúde a Leucemia Mieloide Aguda (LMA) associada à translocação dos cromossomas (Cr) 8 e 21 (t(8;21)) representa cerca de 5% das LMA. Na classificação French-American-British (FAB) representa cerca de 10% das Leucemias Mieloides Agudas com maturação (M2). Ocorre em doentes jovens e é considerada uma entidade de LMA com prognóstico favorável.

Cerca de 3 – 4% das LMA associadas à t(8;21) apresentam translocações variantes. As características clínico-patológicas de LMA com t(8;21) variante não estão bem caracterizadas e seu significado clínico é controverso.

Caso Clínico:

Mulher de 38 anos, com história de anemia ferropénia secundária a perdas menstruais por mioma uterino, sem outros antecedentes de relevo.

A avaliação analítica no serviço de urgência do Hospital da Área de Residência relevou bicitopénia com hemoglobina (Hb) 7.7g/dL e plaquetas 10000/mcL com leucocitose (GB) 20000/mcL com 20% blastos no esfregaço de sangue periférico, tendo a doente sido transferida para o Serviço de Hematologia do IPO Lisboa.

Na avaliação inicial: Hb 8.2g/dL, GB 22900/mcL com 21% blastos, 50000/mcL plaquetas, LDH 817UI/L, sem outras alterações analíticas de relevo.

Realizou avaliação medular que revelou infiltração com 39.8% mieloblastos, compatíveis com LMA com maturação (M2) segundo a classificação da FAB, imunofenotipagem com positividade para mieloperoxidade (MPO), CD34+, HLA-Dr+ e CD19+.

No estudo do cariótipo observaram-se 10 metafases com anomalia dos Cr 8 e 21; o Cr 8 longo com bandeamento e o Cr 21 muito curto sem bandeamento. Conjugando estes resultados com os de FISH: Sonda LSI t(8;21)(RUNX1T1/RUNX1), Dual Color, Dual Fusion e Sondas Whole Chromosome Paint para os Cr 8 e 21, verificou-se que a interpretação mais provável é a ocorrência de uma t(8;21) variante, havendo uma segunda translocação desequilibrada envolvendo os cromossomas anómalos já resultantes da t(8;21)(RUNX1T1-RUNX1). A doente realizou indução com idarrubicina e citarabina.

Teve alta do internamento e aguardam-se os resultados de NGS para painel mieloide (mutação de c-KIT) e avaliação de resposta para decisão de terapêutica subsequente.

Discussão e conclusões:

Este caso clínico ilustra o desafio de reconhecer o padrão de cariótipo que ocorre com esta t(8;21) variante e a importância de um alto grau de suspeição correlacionado com a avaliação morfológica e imunofenotipagem. Demonstra-se a necessidade da integração de outras metodologias (FISH) para determinar e confirmar a presença de fusão dos genes RUNX1-RUNX1T1, e de outras possíveis anomalias cromossómicas adicionais