EVOLUÇÃO DOS AGENTES MICROBIANOS E DAS RESISTÊNCIAS NA BACTERIÚRIA EM GRÁVIDAS ENTRE 2010 E 2020

EVOLUÇÃO DOS AGENTES MICROBIANOS E DAS RESISTÊNCIAS NA BACTERIÚRIA EM GRÁVIDAS ENTRE 2010 E 2020

Evento: SPPC 2021

Poster Número: 031

Autores e Afiliações:

Miguel Seruca (Serviço de Patologia Clínica, Centro Hospitalar Universitário do Algarve), Rita Sérvio (Serviço de Doenças Infeciosas, Hospital Fernando da Fonseca), Virgínia Lopes, Maria Helena Ramos (Serviço de Microbiologia, Centro Hospitalar do Porto)

INTRODUÇÃO

A bacteriúria é um achado relativamente frequente. Na maioria dos casos, não existe indicação para efetuar terapêutica antimicrobiana na ausência de dados clínico-laboratoriais de infeção do trato urinário. A gravidez constitui uma das exceções a esta atitude, tendo sido claramente demonstrada a associação entre a bacteriúria nas grávidas e o risco aumentado de pielonefrite, ameaça de parto prematuro, baixo peso e sépsis neonatal, pelo que a terapêutica antimicrobiana é frequentemente indicada. É importante conhecer e monitorizar os agentes patogénicos mais comuns que condicionam este fenómeno nesta população específica, bem como a evolução dos seus perfis de suscetibilidade.

OBJETIVOS E METODOLOGIA

Caracterizar e comparar as populações microbianas identificadas nas situações de bacteriúria nas grávidas nos anos de 2010 e 2020, bem como a evolução de resistências aos antimicrobianos. Analisar também as taxas de positividade e de contaminação obtidas nos exames microbiológicos de urina das grávidas num Centro Hospitalar Universitário.

Foram avaliados os resultados do estudo microbiológico de todas as amostras de urina das grávidas, relativos aos anos de 2010 (n= 4766) e 2020 (n=2694). Para o estudo da evolução epidemiológica e da suscetibilidade, foram eliminados todos os duplicados correspondentes à mesma doente com um intervalo inferior a 3 meses.

RESULTADOS

Em 2010 e 2020 foram analisadas respetivamente 4766 e 2694 amostras. Embora tenha havido uma diminuição significativa na amostragem relacionada com as consultas não presenciais durante a pandemia, registou-se um aumento da incidência de bacteriúrias por Escherichia coli, Klebsiela spp. e Staphylococcus saprophitycus e uma diminuição das bacteriúrias por Streptococcus agalactie e Enterococcus faecalis. Na avaliação do perfil de suscetibilidade aos antimicrobianos, das estirpes de E. coli e Klebsiella spp verificaram-se -se um aumento da resistência às combinações amoxicilina/ácido clavulânico e piperacilina/tazobactam e de um modo geral, uma diminuição das resistências aos antibióticos não beta lactâmicos. 

CONCLUSÃO

Apesar de uma ligeira diminuição no número de amostras classificadas como “flora de contaminação”, a proporção entre amostras estéreis, positivas e contaminadas não se alterou significativamente. E. Coli e Klebsiella spp. representam uma percentagem maior dos isolados em 2020, sendo que Proteus mirabilis e bactérias Gram positivas desceram em relação a 2010. Tal pode estar relacionado com uma maior acuidade na valorização da presença dessas bactérias no exame microbiológico de urina na grávida. O aumento da resistência da E. coli e da Klebsiella spp. aos beta-lactâmicos é sobreponível aos resultados relatados na literatura. A fosfomicina não era utilizada em 2010, contudo em 2020 apresenta-se como uma opção terapêutica adequada para E. coli, mas não para Klebsiella spp.