ANÁLISE COMPARATIVA DE METODOLOGIAS DE CONTAGEM DE PLAQUETAS: MÉTODO POR IMPEDÂNCIA ELÉTRICA E POR FLUORESCÊNCIA ÓTICA (DIFRAÇÃO DE LUZ) NO EQUIPAMENTO MINDRAY® BC-6800

ANÁLISE COMPARATIVA DE METODOLOGIAS DE CONTAGEM DE PLAQUETAS: MÉTODO POR IMPEDÂNCIA ELÉTRICA E POR FLUORESCÊNCIA ÓTICA (DIFRAÇÃO DE LUZ) NO EQUIPAMENTO MINDRAY® BC-6800

Evento: XI Congresso Nacional  de Patologia Clínica 

Poster Número: 014

Autores e Afiliações:

Helena Alexandra Madeira Trinca, Cheila Plácido, Nídia Neves, Ana Vicente, Nuno Canhoto.

Serviço de Patologia Clínica, Hospital Central do Funchal – Dr. Nélio Mendonça, SESARAM

Introdução

A trombocitopenia é uma condição caracterizada por níveis anormalmente baixos de plaquetas no sangue (<150 x 109/µL). Deve ser diferenciada de contagens falsamente baixas, dadas pelos analisadores hematológicos automáticos que utilizam o método de impedância (como por exemplo, no caso de plaquetas de grande volume; na presença de eritrócitos parcialmente lisados ou de fragmentos eritrociários) ou de fenómenos de pseudotrombocitopenia induzidos in vitro. O equipamento Mindray® BC-6800 dispõe, para além do método de impedância (PLT-I), de um modo de contagem ótica por marcação fluorescente (PLT-O). 

Objetivos e Metodologias

O método por impedância elétrica é utilizado na grande maioria dos casos, enquanto que o método por fluorescência ótica é utilizado somente em casos que necessitem de confirmação. Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi comparar os valores de contagens plaquetárias, realizadas pelo método de impedância elétrica e fluorescência ótica. Todos os casos continham contagens realizadas pelo método de impedância (PLT-I) e fluorescência ótica (PLT-O) no equipamento Mindray® BC-6800. 

Materiais e métodos

Em estudo retrospetivo, foram avaliados dados sequenciais arquivados de contagens plaquetárias de 89 doentes com contagens de plaquetas <150 x 109/µL. A distribuição das contagens de plaquetas foi avaliada quanto à normalidade pelo teste não paramétrico de Wilcoxon.

Resultados

Com o intuito de saber se existe correlação entre os dois métodos de medição e o PDW (Índice de anisocitose plaquetária) e VPM (Volume plaquetário médio), analisou-se inicialmente pelo método de impedância (PLT-I). Constatou-se que existe correlação negativa entre o PDW e o valor das plaquetas por este método, ou seja, há medida que a contagem de plaquetas aumenta, o PDW diminui, e vice-versa. A correlação entre o VPM e o valor das plaquetas pelo método por impedância (PLT-I) é positivo, ou seja, à medida que o valor de plaquetas aumenta o VPM também, e vice-versa. De seguida, analisou-se pelo método de contagem por fluorescência ótica (PLT-O). Verificou-se que existe correlação negativa entre o PDW e o valor das plaquetas, isto é, há medida que a contagem de plaquetas aumenta o PDW diminui, e vice-versa. A correlação entre o VPM e o valor das plaquetas medido por este método é positivo, ou seja, à medida que a contagem de plaquetas aumenta o VPM também aumenta, e vice-versa.

Conclusões

Este estudo demonstrou que os analisadores hematológicos apresentam contagens de plaquetas superestimadas, principalmente em metodologias por impedância. Isso tem impacto nas decisões clínicas transfusionais, influenciando prognósticos e subestimando necessidades de transfusões plaquetárias. A contagem plaquetária precisa é fundamental para a avaliação do doente e para a tomada de decisões clínicas, sobretudo em situações de risco de hemorragias espontâneas e formação de trombos, devido à trombocitopenia acentuada ou trombocitose. No equipamento Mindray® BC-6800 verificou-se que existem diferenças significativas entre as duas metodologias, sendo a medição das plaquetas por impedância a que apresenta os valores mais elevados.

Declaração de conflito de interesses: Nenhum dos autores ou co-autores tem qualquer conflito de interesse a declarar.