FARMACOGENÉTICA NO LABORATÓRIO CLÍNICO: RACIONAL E IMPLEMENTAÇÃO DO ESTUDO GENÉTICO DO GENE DPYD EM DOENTES ONCOLÓGICOS ELEGÍVEIS PARA TRATAMENTO COM FLUOROPIRIMIDINAS

FARMACOGENÉTICA NO LABORATÓRIO CLÍNICO: RACIONAL E IMPLEMENTAÇÃO DO ESTUDO GENÉTICO DO GENE DPYD EM DOENTES ONCOLÓGICOS ELEGÍVEIS PARA TRATAMENTO COM FLUOROPIRIMIDINAS

Evento: XI Congresso Nacional de Patologia Clínica 

Poster Número: 060

Autores e Afiliações:

Jorge Chaves Monteiro-1, Pedro Coelho-1, Carla Mendes-1, Ana Martins-2, Madalena Cruz-2, Ana Constança-2, Sérgio Xavier Azevedo-3, António Araújo-3, José Carlos Oliveira-1, Ricardo Ribeiro-1

1 – Centro Hospitalar Universitário do Porto, Serviço de Patologia Clínica

2 – Centro Hospitalar Universitário do Porto, Química Clínica

3 – Centro Hospitalar Universitário do Porto, Serviço de Oncologia Médica

Introdução

A farmacogenética tem por objetivo a identificação de diferenças genéticas entre indivíduos que possam influenciar a resposta à terapêutica, melhorando a sua eficácia e segurança. Polimorfismos genéticos podem prever alterações fenotípicas da proteína, influenciando a resposta a fármacos, podendo ser usadas para ajustar a dose e orientar a seleção do medicamento.  
As fluoropirimidinas (FP) são usadas no tratamento de várias neoplasias comuns, nomeadamente o 5-Fluorouracil (5-FU) e a Capecitabina (CP). A dihidropirimidina desidrogenase (DPD) é a enzima limitante do catabolismo do 5-FU, codificada pelo gene DPYD, desempenhando um papel central na sua metabolização. Por conseguinte, os doentes com défice ou redução da atividade de DPD tratados com 5-FU e CP podem apresentar toxicidade grave ou fatal.

Objetivos e Metodologia

Revisão da literatura médico-científica. Até ao momento, existem mais de 450 variantes missense descritas no gene DPYD, mas apenas 4 variantes, *2A, *13, D949V e HapB3, estão estabelecidas como preditoras de toxicidade clínica significativa. Assim, o Serviço de Química Clínica, em colaboração com o Serviço de Oncologia Médica, implementou o rastreio de variantes do gene DPYD, de acordo com a melhor evidência científica e clínica. Foi adotada a genotipagem por PCR em Tempo Real, utilizando amplificação e deteção com probes específicos através da análise de curvas de melting, que permite detetar as 4 principais variantes do gene associadas a toxicidade por fluoropirimidinas: DPYD*2A, c.1905+1G>A, IVS14+1G>A, rs3918290; DPYD*13, c.1679T>G, rs55886062; DPYD c.2846A>T, D949V, rs67376798; HapB3 c.1129-5923C>G, rs75017182, em linkage com c.1236G>A, rs56038477. Concomitantemente, está a ser implementado um protocolo de sequenciação de Sanger para deteção dos polimorfismos genéticos de interesse.

Resultados

As variações no DPYD são responsáveis por toxicidade ao 5-FU. Quinze a 30% dos pacientes apresentam toxicidade grave relacionada com o tratamento (grau 3+), sendo letal em 0.5-1% dos pacientes. Após genotipagem é elaborado um relatório, com base em guidelines estabelecidas para interpretação dos perfis genéticos, reportando o método de extração de DNA, os genótipos identificados para cada variante genética, o score genético e a respetiva recomendação de ajuste terapêutico.

Conclusões

Existe evidência para iniciar terapia de FP orientada por análise genética das quatro variantes do DPYD, sendo premente a sua implementação no Laboratório Clínico. Esta experiência mostrou que pode ser facilmente implementado, é amplamente solicitado pelos Oncologistas e apresenta uma razão custo-benefício favorável. Este é um passo importante no sentido da medicina de precisão, reduzindo a probabilidade de complicações iatrogénicas graves.

Declaração de conflito de interesses: Declaro não ter potenciais conflitos de interesses.