Patologia Clínica: a Medicina Interna dos Meios Complementares de Diagnóstico

O Colégio de Patologia Clínica (PC) da Ordem dos Médicos (OM) é o garante da qualidade da Medicina da PC. Promove padrões de qualidade, define a estratégia para o futuro, defendendo e valorizando a especialidade, e representa os Médicos PC. Realiza visitas de verificação de idoneidade a Serviços de PC, emite normas sobre questões técnicas, regula a formação, entre outras atividades.

A direção do Colégio de PC assumiu uma estratégia de diferenciação da especialidade. Elaborámos o novo Programa de formação do Internato Médico de PC, que passa a especialidade de 4 para 5 anos, incorporando as mais recentes evoluções da PC e permitindo uma maior diferenciação.

Defendemos a consulta de PC, a consultoria Médica, a participação em grupos multidisciplinares médicos e uma aposta na capacitação em gestão e liderança. Elaborámos a proposta de novos critérios de idoneidade formativa, novo inquérito de caracterização de serviços, nova grelha da prova final e o documento da atividade do Médico PC.

Participámos na atualização da tabela de PC da OM, na criação do ForTem e do programa da competência CIURA. Elaboramos, anualmente, a lista de capacidades formativas da PC e participamos em diversos grupos de trabalho e em reuniões da UEMS. Estamos a desenvolver o Logbook da PC e o modelo de Censos da PC. Temos tido uma postura de aproximação aos Serviços de PC, em que nos colocamos como seus parceiros. Promovemos reuniões com Conselhos de Administração para valorizar e diferenciar a PC. Sugerimos a realização de Seminários dirigidos para alunos das Faculdades de Medicina como forma de divulgação da PC. Propusemos a criação do Dia do Médico Patologista Clínico para dia 7 de outubro de cada ano, como forma de reconhecer o papel essencial dos Patologistas Clínicos no sistema de saúde e para celebrar a sua dedicação e os seus esforços na prestação de cuidados de saúde de qualidade.

As exigências estão a mudar e as necessidades dos doentes requerem melhores resultados. A população está envelhecida, há uma carga crescente das doenças crónicas e os doentes requerem cuidados mais individualizados. A carga de doença está a mudar para doenças não transmissíveis e até 2035, estima-se que cerca de 50% da carga global de doença será nas áreas das Doenças Cardiovasculares-metabólicas, Oncologia e Neurologia.

Há uma complexidade crescente dos sistemas de saúde e um aumento exponencial de dados de saúde. A inteligência artificial desempenhará um papel importante. Nos cuidados de saúde, os recursos, humanos e materiais, continuam sobre pressão, levando a incentivos por resultados em saúde em vez de volume de produção. Mais do que nunca, os cuidados devem ser prestados de forma eficiente.

O valor do Médico Patologista Clínico neste contexto é inestimável, desempenhando um papel crucial na gestão de desafios de saúde. O diagnóstico in vitro contribui em cerca de 70% dos casos para a tomada de decisão clínica. O Médico PC presta cuidados nas áreas de promoção de saúde e prevenção da doença, rastreio, diagnóstico, prognóstico, terapêutica e monitorização. A ação do Médico Patologista Clínico, para além do papel fulcral no diagnóstico, ajuda a reduzir o número e duração das hospitalizações, introduzir estratégias de tratamento direcionadas e melhorar a gestão dos doentes crónicos, entre outros. Estamos empenhados na busca de um melhor estado de saúde para os nossos concidadãos.

João Mariano Pego,

Presidente do Colégio de Patologia Clínica da Ordem dos Médicos

Membro da Direção da SPPC

Médico Especialista em Patologia Clínica na ULS de Coimbra

Competência em Gestão dos Serviços de Saúde pela Ordem dos Médicos